quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A OAB não é mais aquela




KLEBER LIMA


Os bastidores da OAB de Mato Grosso andam agitados ultimamente. O motivo não é nenhuma nova mobilização em torno de temas de interesse público, tais como bandeiras já empunhadas pela entidade em glorioso passado, como a campanha do Petróleo é Nosso, pela educação pública gratuita e de qualidade, tampouco a luta pela redemocratização do país, que eclodiu com as Diretas Já.
Nada mais se fala no interesse corporativo da categoria dos advogados, como defesa das prerrogativas, formação e qualificação profissional, acesso ao mercado de trabalho aos jovens advogados. E muito menos algo a ver com as questões atinentes ao direito propriamente dito.
Ao que tudo indica, discussões sobre os recentes escândalos envolvendo o Poder Judiciário e uma grande parte dos nossos magistrados já caíram no esquecimento do atual Conselho Estadual da OAB. A pauta principal da entidade, agora, sob a nova direção, data maxima venia e salvo melhor juízo, é perseguir opositores e adversários na política classista, negando-lhes até mesmo acesso às dependências da sede da seccional, quando não impedindo-os de se manifestar nas reuniões do conselho. Mesmo quando são parte diretamente interessada na pauta.
Ao menos é o que me informam alguns amigos advogados, especialmente alguns dos que participaram de uma reunião havida na semana passada, na qual o Conselho se reuniu para negar a cessão de uso do auditório da seccional para a Associação dos Advogados Trabalhistas sob a alegação, pasme, de que sua respectiva presidente faz críticas ao atual conselho. Lê-se isso textualmente num libelo mal-traçado pelo relator do caso. Amigos do próprio conselho, embora tentem explicar que há outras questões envolvidas, acabaram confirmando o caso.
Na verdade, a OAB parece ter perdido a referência de política classista e também sua capacidade de perceber os tão decantados anseios da sociedade civil organizada. Torna-se incapaz de intervir nos processos políticos reais da sociedade, amesquinha-se, despolitiza-se, e perde até sua dimensão corporativa, quando, movida ou pelo ódio ou pelo revanchismo, passa a tratar advogados militantes e em pleno gozo de suas prerrogativas profissionais como inimigos a serem combatidos até a morte.
Chega a ser uma violência e extrema covardia o que fazem membros majoritários da seccional contra uma advogada, mulher, representante de um segmento importante da categoria, com alegações que parecem absurdas e extrapolam os limites da institucionalidade.
Na verdade, o conselho dá péssimo exemplo à categoria dos advogados e, por extensão, à sociedade, quando não consegue exercer a democracia interna. Essa metamorfose da OAB em igrejinha de poucos adeptos deixa a sociedade órfã de uma das suas principais guardiãs das liberdades democráticas, da cidadania e do Estado Democrático de Direito.
Ad Argumentandum Tandum Que autoridade moral ou legitimidade terá a OAB para intervir nos assuntos da cidadania se mal consegue tratar suas próprias diferenças internas sem transformá-las em mazelas autoritárias?
Há tempo, senhores e senhoras, todavia, para recuperarem o bom senso e a sensatez, e deixarem que questões de ordem pessoal e íntima de membros da categoria sejam resolvidas no âmbito privado das relações pessoais. Há tempo, sobretudo, para que a OAB recupere sua dignidade de entidade fundamental demais à sociedade para deixar-se perder na mediocridade das picuinhas pessoais. Basta se lembrarem que estão fazendo história, e se fazerem uma pergunta básica: como querem ser lembrados?



KLEBER LIMA é jornalista e consultor de marketing em Mato Grosso.
kleberlima@terra.com.br

3 comentários:

  1. Boa tarde Luciana! Sou jornalista e estou produzindo matéria sobre mortalidade infantil entre índios Xavante. Pode me passar seu e-mail para trocarmos informações? Abraço!

    Sandra Carvalho
    sandracarvalho100@gmail.com
    Blog da Sandra Carvalho - www.24horasnews.com.br
    (65) 8453-3216

    ResponderExcluir
  2. Que explendoroso artigo! parabéns Kleber!

    ResponderExcluir
  3. A que ponto chegou a OAB-MT! quanta baixaria!se a Dra. Luciana não fosse mulher.... e com os homens da panelinha? como ficam? o roto quer falar do esfarrapado? ora! criem vergonha na cara conselheiros da ORDEM ou DESORDEM...estou com Luciana Serafim!!! Luciana, não ceda a baixaria destes homens inescrupulosos.Continue lutando pela classe.

    ResponderExcluir