terça-feira, 19 de outubro de 2010

O líder e o príncipe.



A máxima de Maquiavel é que o príncipe deve abdicar de seus princípios para se manter no poder.

Como isso pode ser possível, se princípios são chamados de princípios porque nunca mudam?

De fato, para o líder princípios são premissas pétreas, forjadas pelo espírito do bom, do justo e do glorioso para o mundo. É da natureza intrínseca do homem que foi escolhido pela sociedade como chefe a ser seguido.

O príncipe, por sua vez, não é escolhido. Herda o cargo pelo sangue que carrega, pelo dinheiro que tem ou pelas maracutaias que apronta.

Dessa forma, não há que se exigir dele que cumpra o que prega. Há cada momento mira seus princípios para a direção mais conveniente e confortável para seus interesses pessoais.

Por isso que choramos quando os líderes se aconchavam com os príncipes.

Não há razão maior que permita essa aproximação! Nem mesmo os interesses de Mato Grosso são suficientes para justificar essa infeliz conduta.

Haja, talvez, desejo do líder em conhecer as belezas do Lago de Manso, acessível apenas para homens da casta nobre. Poderia tê-lo feito em companhia de melhor qualidade e menos comprometedora.

Seria conveniente a discussão dentro do parlamento, sem canapés e uísque importado, apenas com café forte para espantar o sono do Horário de Verão.

Asseguraria independência política do líder e continuidade de seus status perante a sociedade que o elegeu como representante.

Hoje, vamos considerar, como nossa verdade, que o líder é inocente. Deixou-se influenciar momentaneamente pelo desejo irrefutável de trabalhar no domingo, tecendo reuniões importantíssimas e inadiáveis que o colocaram naquela posição constrangedora de se parear ao homem que derrubou Marina.

Nosso líder não subiu no palanque de corruptos. Não se curvou diante do medo. Não comprou votos e certamente, esperamos, não se tornará príncipe.

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Fabiano Rabaneda é Advogado e Jornalista.

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