
Recentemente fui a Casa do Indío, na Rua Pedro Celestino, centro de Cuiabá/MT, procurar alguns artefatos para que meu filho fizesse seu trabalho escola sobre a Cultura Indígena. Ao entrar no local, após ver vários belos artesanatos, questionei onde ficavam aqueles produzidos com as penas - aliás desde minha infância, jamais as consegui apagar a imagem das vestimentas, chocoalhos, abanadores, colares, ..., deste povo tão criativo e colorido.
Qual minha supresa quando fui informada pela funcionária que não havia mais artesanatos com penas, vez que estava proibida a retirada das penas das aves, pelas instituições protetoras dos animais.
Não quero, com esta minha manifestação dizer que sou contra essas instituições, ao contrário.
Entretanto, não pude deixar de questionar a funcionária a respeito da cultura e tradição indígena em produzir suas peças artesanais com aquelas lindas penas coloridas. E a resposta obtida foi a seguinte: "pois é, mais tá proibido".
Tudo bem, até podemos entender as razões, vez que muitos de nossos animais estão até mesmo em extinção.
Ocorre, que não vemos a mesma intensidade de proteção ao ser humano; e no caso específico, ao ser humano indígena. Em muitas culturas indígines (Kamaiurá, p. ex.), quando a criança nasce com deficiência física ou mental, ela é morta por representar mau agoro para a tribo. Em outras, quando nascem indiozinhos gêmeos, um também é sacrificado. Nesses casos, infelizmente, a cultura prevalece. Onde estão as instituições protetoras dessas crianças indígenas?
E como sabemos, a "prevalência da cultura" sobre o ser humano, não está limintada apenas aos povos indígenas. Basta reportar-mo-nos, por exemplo, ao que acontece diuturnamente com as mulheres do Afeganistão; ou melhor, com as "mercadorias do Afeganistão". Elas são mortas, mutiladas, torturadas, apedrejadas, separadas de seus filhos, estupradas, tudo, tudo, em nome de uma "cultura". Onde estão as instituições com tamanha força de proteção como as daquelas que conseguem proteger as penas não mais utilizadas pelos índios?
É uma PENA, que o ser humano, tenha valor tão menor que a cultura.



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