terça-feira, 16 de março de 2010

Aos que são contra a demolição do Verdão

Muitas tem sido as discussões a respeito da demolição ou não do Verdão. O poeta Carlos Gomes de Carvalho escreveu um ótimo artigo, como lhe é peculiar, manifestando-se contra por entender que com ela estarão derrubando a memória histórica de Cuiabá. Lembrou de um "dos mais belos e representativos monumentos da arquitetura barroca existente em Mato Grosso", a Catedral Metropolitana do Senhor Bom Jesus do Cuiabá, que foi demolida para dar lugar a outra estrutura, digo, não tão bela como a anterior.
Carlos Gomes, em homenagem a democracia participativa, entende que a população deveria ser consultada, antes de se decidir pelo desmanche.
Aproveito, então, para me manifestar a respeito.
Primeiramente, não querendo desmerecer o Verdão e sua história, entendo que tentar vincular sua demolição com a ocorrida com a Catedral Metropolitana é extremada. Não irei fazer um relato da historia da antiga Catedral, sua importância histórica, beleza arquitetônica, dentre outros. Vou me ater ao Verdão, local que frequento desde criança, como torcedora do Mixto que ia ao estadio com o pai, torcedor do Operário. Eu adorava ver o "Bife" jogar, era meu ídolo. Hoje ainda frequento o Verdão (pelo menos até fechar as portas para a demolição) com meu marido Dom Bosquino e meus filhos que ainda não definiram o time do coração em Mato Grosso.

E justamente por frequentar o estadio é que sou contra a construção de outro estádio além do Verdão. Nosso futebol não tem qualquer estrutura para que isso aconteça. O público que vai ao estadio é pequeno, os clubes precários, futebol fraco apesar de divertido. Assim me pergunto: se fosse construido um novo estádio, o que seria feito do Verdão? Ficaria entregue as moscas, mosquitos da dengue, ainda mais deteriorado do que está.

Nos tempos de campeonato estadual, os jogos seriam realizados no "elefante branco que o Verdão se tornará" ou no novo estádio, com toda a estrutura, moderno, banheiros em condições de uso? O estado teria condições financeiras de bancar a estrutura desses dois estádios? Uma meia duzia de times conseguiriam levar público a ambos?

A questão é macro e, nesse caso, o apego a nostalgia criará muito mais problemas do que os que estão sendo levantados pelos defensores de um novo estádio.

Um comentário:

  1. Luciana, esta questão eu encaro da seguinte forma: existem ambientes para uso e outros para contemplação. Num museu, nas ruínas de Vila Bela ou no Coliseu Romano, vou para contemplar (Tá, no Coliseu eu nunca fui. É só exemplo). Num estádio de futebol, vou para usar, ter conforto durante as mais de duas horas e que ali ficarei normalmente sobre o meu traseiro. Por conta disso, os ingleses demoliram o estádio de Wembley, que havia sido inaugurado em 1923 (é, um pouquinho mais antigo que o Verdão) e construíram outro, moderninho e cheio de comodidades. Tombar estádio de futebol é bobagem, você simplesmente engessa algo que precisa de constante renovação, até para não se transformar num elefante branco, como você teme. Muitos dos estádios da Europa são verdadeiros Shoppings Centers. Tem que se levar em consideração também que as normas da FIFA (sejam boas ou não), exigem um estádio moderno para que um local sedie uma competição deste nível.
    Sergio Luiz Fernandes - Jornalista

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